“Uma forma de violência no casal”

Casal triste ter um argumento — Fotografia de Stock #49046017

“Estamos aqui porque pensamos já ter esgotado todas as nossas possibilidades de diálogo. Não conseguimos falar um com o outro sem ser a discutir, alias já nem sei o que é falarmos sem discutir, isso está sempre presente.. já tentámos a separação mais do que uma vez mas também não nos conseguimos separar..  temos uma filha com 6 anos, estamos juntos há 10, conhecemo-nos desde a nossa adolescência e sempre fomos presentes na vida um do outro. Agora chegámos a um ponto que não dá mais …

Tanto eu como ela tivemos vidas muito difíceis com os nossos pais, com muita violência. Não sei se isso poderá ter contribuído …é difícil encontrar consensos e uma  forma nova de comunicar .. era isso que gostaríamos de mudar …” sessão de casal

Muitas vezes de uma relação ou casamento feliz e idealizado, sobra a tristeza a raiva a desilusão, os filhos, a casa. O que fazer quando tudo parece desmoronar, e o desgaste se impõe?

Todos somos portadores de uma herança genealógica que constitui o fundamento da nossa vida psíquica e que é processada inconscientemente; assim, a escolha do nosso parceiro/parceira não foge há regra e é adequada ás nossas necessidades emocionais. O espaço do casal é um lugar, por excelência, onde acabamos por actuar e reproduzir o vivido interior e anterior. Vivências dolorosas, agressivas e violentas, quando não devidamente elaboradas e pensadas poderão ser reproduzidas na família e no casal. Quando o casal diz:  Não sei como chegámos aqui! Mas também não conseguimos parar…!”, é completamente verdadeiro pois o sujeito tem muita dificuldade em reconhecer este lado do seu funcionamento mental que se estende e se prende a conflitos por um lado ancestrais e, por outro, adquiridos no seu desenvolvimento de forma confusional.

A terapia de casal permite elaborar o não dito, aceder e perceber a violência, que muitas vezes sai de uma forma desajustada e é “despejada” em cima do outro elemento ou dos filhos; entre agressões verbais e físicas, o casal vai reproduzindo na sua relação muito do que viveu, escutou e aprendeu na sua família de origem.

A violência nem sempre é actuada. Existem níveis de violência psicológica que é também ela destruidora e paralisante se o sujeito não considerar um tratamento. A violência transmitida depois aos filhos é o espelho e a ramificação que se pode perpetuar por gerações.

Lúcia A.

“Primeiro está a miúda e depois estamos nós”

“O divórcio custou-lhe muito. “É sempre complicado”, diz José. Com filhos, pior ainda. “É uma dor enorme.” A menina tinha cinco anos. Ficou a morar com a mãe. Fizeram um acordo típico – fins-de-semana alternados, férias repartidas, natais repartidos, passagens de ano repartidas. Aos 13 anos, deixou de querer ver o pai.”

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/primeiro-esta-a-miuda-e-depois-estamos-nos-1701044

Autor; Ana Cristina Pereira Jornal Público

Transmissão psíquica transgeracional e construção de subjetividade: relato de uma psicoterapia psicanalítica vincular1

“O presente artigo tem como objetivo refletir acerca do processo de transmissão psíquica entre gerações, especificamente de uma modalidade – a transmissão psíquica transgeracional – e sua influência na construção das subjetividades individuais e dos vínculos familiares, enfatizando-se aqui o vínculo mãe-filha como gerador de sintomas na criança e conflitos no âmbito familiar, através de um relato clínico de uma psicoterapia psicanalítica vincular.”

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642009000100006

Autor; Isabel Cristina Gomes; Sandra Aparecida S. Zanett

 

 

A importância da figura paterna para o desenvolvimento infantil

“O papel do pai na Sociedade tem se transformado, sobretudo, nas últimas décadas. De fato, a “condição” de Pai evoluiu e continua em franco processo de evolução, devido às transformações culturais, sociais e familiares, passando pela fase em que os filhos eram propriedades do pai (com as mães quase sem direitos), e pela fase em que o pai era apenas o suporte financeiro da família.”

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862011000100007

Autor; Edyleine Bellini Peroni Benczik

MÃE DEMAIS, PAI DE MENOS: UMA LEITURA PSICANALÍTICA DO FILME INSTINTO MATERNO.

“Este artigo apresenta uma leitura do filme “Instinto Materno”, tomado como ilustração das consequências de relações familiares em que o enfraquecimento da função paterna e a persistência de uma superproteção relacionada com a “função materna” atravessam o processo de amadurecimento das crianças e jovens, criando condições que dificultam ou impedem a construção de uma estrutura de valores e da autonomia necessária para fazer escolhas saudáveis nos diferentes momentos da vida. O conceito de “mãe suficientemente boa”, desenvolvido por Winnicott ao longo de sua obra (1975), em diálogo com o conceito freudiano de narcisismo, é tomado como fio condutor deste percurso”

http://pepsic.bvsalud.org/pdf/trivium/v6n2/v6n2a09.pdf

Autores; Maria Inês Garcia de Freitas Bittencourt1

e Junia de Vilhena

«A Hiperactividade na Criança: Doença ou Mal-de-Viver?»

“A psicologia da criança deve valorizar a criança como um todo, procurando entender o psíquico à luz do somático e o somático à luz do psíquico, compreender a criança-em-si-pró- pria à luz da criança-na-sua-família, das vinculações estabelecidas, e do «socius» de onde emergiram.”

http://actapediatrica.spp.pt/article/view/5843/4605

Autor ; Emílio Salgueiro

Vínculos familiares na adolescência: nuances e vicissitudes na clínica psicanalítica com adolescentes

“A adolescência constitui-se em uma vivência fundamental na constituição identitária, permeada por mudanças, remodelamentos subjetivos, ressignificações de diversas ordens. O adolescente necessita reeditar sentimentos e vínculos primários em relação às figuras parentais, revisando, assim, seus objetos internos e sua identidade. Para os pais, trata-se também de um processo angustiante e confuso, já que necessariamente irão se deparar com questões referentes à separação, diferenciação, finitude, alterações de lugares e papéis na dinâmica familiar, além de inevitáveis frustrações decorrentes do crescimento e das escolhas dos filhos.”

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942008000100012

Autor: Aline Bedin Jordão

O Tribunal é Réu é o título do seu último livro. O tribunal é o principal responsável pelos problemas associados ao divórcio?

“A tese deste livro é que o tribunal aumenta o conflito do casal por duas razões: em primeiro lugar, o sistema favorece uma lógica de vencedor e vencido e isso é evidente desde o primeiro requerimento, desde a primeira alegação; depois o tribunal demora muito tempo a tomar decisões relativas à guarda das crianças – quando há conflito entre os pais o processo prolonga-se em média por dois anos, mas pode demorar mais anos.”

http://www.sabado.pt/vida/familia/detalhe/daniel_sampaio_(..)

Autor: Ana Catarina André/Sábado.pt

Entrevista com Alberto Eiguer: a família em (des)ordem

“As mudanças na família contemporânea concernem a seu funcionamento, mas não estou seguro de que a estrutura mude. Muitas dessas modificações encontram-se em outras sociedades, especialmente naquelas que estudam os antropólogos. Acredito que o parentesco não se alterou. Suas leis e suas funções continuam sendo as mesmas. As mudanças são suficientemente importantes para gerar nas famílias desassossego, medo e sofrimento, além de sentimento de liberdade, alívio e euforia quando as pessoas se dão conta de que ousaram transpor as barreiras que as aprisionavam. Em cada um de nós, surge culpa por querer romper com a tradição e fazer diferente de nossos pais e antepassados, e sentimento de triunfo quando nos apercebemos de que o fizemos sem pensar em querer nos mostrar superiores a nossos pais. Parece-me que essas duas linhas atuam constantemente e nos deslocam. Sobretudo, é difícil não ter modelos de referência para alicerçarmos quando abandonamos os antigos. Então, surgem desorientação e confusão. Um de meus artigos chama-se, precisamente, “a família desconsertada” (“a família déboussolée”, sem bússola).”

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-58352007000100002

Autor; Entrevista com Alberto Eiguer: a família em (des)ordem

 

Divórcio: Ouvir mais e pedir menos relatórios para decidir guarda dos filhos

“Ouvir as crianças, procurar consenso entre os envolvidos, simplificar os processos, eis princípios que o juiz Joaquim Manuel Silva já aplica no Tribunal da Comarca de Lisboa Oeste e que estão vertidos no novo Regime Geral do Processo Tutelar Cível, aprovada na generalidade pela Assembleia da República, agora na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.”

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/divorcio-ouvir-mais-e-pedir-menos-relatorios-para-decidir-guarda-dos-filhos-1701038

Autor; Ana Cristina Pereira /Jornal Público.